É preciso entender o cuidado que Bolsonaro tem com o filho Carlos, o “Zero Dois”

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Carlos Bolsonaro atacou equivocadamente o general Heleno

Carlos Newton

É muito difícil encontrar um pai que não tenha problemas com os filhos, isso é mais do que sabido, sobretudo nos dias de hoje, em que ocorre uma clara redução da hegemonia da família conservadora, através da legalização das uniões LGBT, sigla utilizada para representar lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transsexuais. A regularização desse tipo de matrimônio, digamos assim, já ocorreu e não haverá recuo. É preciso que as pessoas se acostumem com essa realidade, daí o acerto da decisão do Supremo que criminalizou a homofobia, não importa o que cada um pense a esse respeito, no recesso de seus lares.

Além da questão sexual, nos dias de hoje temos também os problemas de comportamento, que incluem o consumo de todos os tipos de drogas, entre as quais devemos incluir o álcool, o fumo e os medicamentos psiquiátricos, tipo rivotril, pois em excesso tudo pode nos destruir, até a própria comida.

RESISTÊNCIA – Embora no Brasil e no mundo tenha surgido uma forte resistência a esses novos comportamentos, não há como ocorrer retrocessos, apenas acomodações. Como dizia o genial cantor Belchior Fontenelle Fernandes, “o que há algum tempo era novo, jovem, hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer”. Na verdade, o próprio Belchior não conseguiu se adaptar aos novos tempos, foi mais um que ficou no meio do caminho.

Em sociedade tudo se sabe, dizia Ibrahim Sued, constatando uma realidade concreta. No caso específico da família Bolsonaro, sabe-se que houve problemas na criação dos filhos, como ocorre em todas as famílias.

BRIGA EM FAMÍLIA – Depois de se eleger vereador com facilidade, em 1988, o capitão Jair Bolsonaro entendeu que conquistara uma faixa firme do eleitorado, e em 1990 se candidatou a deputado federal, sendo o mais votado. E dois anos depois, em 1992, lançou e elegeu a mulher Rogéria como vereadora. Ela se reelegeu em 1996 e depois houve a briga.

Em Brasília, Bolsonaro conheceu a segunda mulher, Ana Cristina Siqueira Valle, que trabalhava como assessora no gabinete do então deputado baiano Jonival Lucas, do Partido Progressista Brasileiro (PPB), o mesmo partido ao qual Bolsonaro era filiado à época. Bolsonaro a convidou para trabalhar em seu gabinete e o romance pegou fogo.

Para evitar que a primeira mulher Rogéria se reelegesse, Bolsonaro então convidou o filho mais velho, Flávio, para ser candidato contra a mãe, e ele se recusou. O jeito foi convencer o segundo filho, Carlos, que tinha apenas 17 anos, teve de ser emancipado e se elegeu, derrotando a mãe.

TRAUMA EM FAMÍLIA – Tudo deriva disso. O fato concreto é que Bolsonaro jogou o filho de 17 anos contra a própria mãe, algo verdadeiramente traumatizante para um adolescente. A partir daí, o pai passou a se julgar responsável por qualquer erro cometido pelo filho, o que explica sua falta de pulso ao tentar evitar que Carlos se intrometa no governo.

Como ocorre em toda família quando há separação dos pais, Bolsonaro teve problemas com os três filhos, mas o desentendimento mais grave foi com Carlos, e os dois chegaram a ficar rompidos.

Sem entrar em maiores detalhes, até porque assuntos de família devem ser sigilosos, o que se sabe é que Carlos continuou a ser o mais problemático dos filhos. Por isso, Bolsonaro dedica a ele uma atenção especial e tenta contemporizar ao máximo. Mas na vida tudo precisa ter limites.

HELENO SE DEFENDE – Nesta sexta-feira, o ministro Augusto Heleno não resistiu e respondeu às acusações de Carlos Bolsonaro. Conforme a Tribuna da Internet já havia informado, com absoluta exclusividade, as equipes do Gabinete Institucional da Presidência somente vistoriam o avião em que o chefe do governo viaja, o que inclui tripulação e todos os passageiros.

No caso do avião de apoio, a segurança fica inteiramente a cargo da Polícia da Aeronáutica. Portanto, o general Heleno jamais poderia ser criticado por Carlos Bolsonaro. Ao mencionar a ocorrência de falhas, o vereador deveria ter se referido ao comandante da Aeronáutica.

O presidente já pediu que o filho pare de atacar o general Heleno, mas foi atendido apenas parcialmente. E agora ninguém realmente sabe o que acontecerá daqui em diante.

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