Um demônio da alma: a inveja . Por Roque de Brito Alves

Resultado de imagem para Um demônio da alma: a inveja

Por Roque de Brito Alves
Membro da Academia Pernambucana de Letras

1 – Catalogada como um dos sete pecados capitais, classificada por São Thomaz de Aquino como “a mãe do ódio”, causa do primeiro crime praticado no mundo (a morte de Abel por seu irmão Caim, conforme a Bíblia), a inveja é evidentemente um sentimento ou paixão criminógena, muito perigosa, maléfica, pois é violadora da paz ou harmonia social,  envenenando as relações ou o interagir humano, escravizando,  de modo absoluto, o ser humano como uma das manifestações de sua maldade.

Independe para existir de classe ou categoria social, de status econômico ou financeiro,  de nível cultural, sendo comum  a todos os seres humanos pois infelizmente faz parte de sua natureza.

2 – O que também ocorre com o ódio e o ciúme, a inveja não conhece o perdão, pois o outro (o invejado) nunca é o seu próximo, o seu irmão, é o seu inimigo que precisa ser destruído, desmoralizado. O invejoso nunca perdoa o invejado por não poder ser  o que ele é ou também não poder ter o que ele tem, em termos de poder econômico,  de prestígio político, de projeção social, de virtudes ou qualidade pessoais morais, físicas ou intelectuais. Assim sendo, o invejoso considera até uma “ofensa pessoal” a felicidade alheia ou as qualidades ou patrimônio do invejado, julga-se injustiçado por não possuí-las também o que torna a sua vida diariamente insuportável.

Se é incapaz por tais razões de perdoar, também é incapaz de conhecer ou de praticar caridade desde que por sua característica desumana, egoística e antissocial a inveja, por si mesma, por sua própria natureza impossibilita tal ação ou gesto pois o invejoso não conhece a generosidade da fraternidade.

3 – Como sua característica importante, ao existir emocionalmente ou psicologicamente em razão da vida do outro (do invejado), o invejoso sofre mais que o invejado, chega a ficar “doente”, a “passar mal”, é mais atingido psiquicamente que o invejado, o que o torna frustrado, em um desgosto profundo, sendo essencialmente um pessimista, sem alegria de viver ou, como diz o poeta, “passa na vida sem ter vivido”.

Não devem ser confundidas as paixões da inveja e do ciúme (confusão que existe muito), pois são distintas. Em verdade, inveja-se no outro o que não se é ou não se tem, enquanto no ciúme teme-se perder o que se tem (a pessoa amada) pela ação de outrem. É uma distinção que analisamos em nosso livro Ciúme e Crime, elogiado na Itália e na Alemanha porém “ignorado” no Brasil …

4 – A inveja é uma paixão ou sentimento que não é temporário,  é constante,  permanente, irá durar enquanto outro vive e, algumas vezes, pode permanecer após a morte do invejado como por exemplo a inveja  da grande repercussão que teve a morte do mesmo … pois está profundamente enraizada na personalidade do invejoso, como se fosse uma aderência natural.

Fonte: Diario de Pernambuco

Deixe uma resposta