Delegados federais lança livro sobre a “institucionalização” do crime no Brasil

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A Lava Jato começou a seu investigada neste posto de gasolina

Celso Serra

Nesta quinta-feira, dia 4, haverá o lançamento do livro “Crime.Gov”, dos delegados federais Jorge Barbosa Pontes e Márcio Anselmo , sobre a “criminalidade institucionalizada” no Brasil, que foi revelada pela Operação Lava Jato. Tudo começou em 2009, quando a Polícia Federal começou a investigar lavagem de dinheiro em um posto de gasolina de Brasília, conhecido como “Poste da Torre”, por ficar perto da antena de TV na cidade..

Responsável pela investigação, Anselmo e sua pequena equipe começaram a puxar o fio da meada, que nunca mais parou de se desenrolar. A primeira investigação de crimes de lavagem de dinheiro envolveu o então deputado federal José Janene, do PP paranaense, com base eleitoral em Londrina e que atuava com os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater.

NA ERA DO PT – O delegado Jorge Barbosa Pontes ficou conhecido nacionalmente quando denunciou  a “criminalidade institucionalizada no governo do PT”.  Pontes é formado pela Academia Nacional do FBI em Virgínia, coordenou a Interpol no Brasil, trabalhou com adido da Polícia Federal em Paris e recentemente foi nomeado pelo ministro Sérgio Moro para ocupar o cargo de diretor de Ensino e Estatística da Secretaria Nacional de Segurança Pública, braço do Ministério da Justiça.

Em seu livro, Pontes e Ancelmo defendem a tese da existência desse novo fenômeno da criminologia, o crime institucionalizado,“um flagelo a ser enfrentado, mais problemático, e localizado ainda acima do crime organizado convencional.

PORTA DE FERRO – Em novembro de 2017, em entrevista ao Estadão, Pontes alertou para delegados “abduzidos” pelo poder político. Ele afirmou que o País queria “ouvir o barulho de uma porta de ferro da cadeia trancando senadores, governadores e deputados”. E disse que “a Lava Jato nunca correu tanto risco”. Afirmou, ainda, que “assessorar alguns políticos é mais comprometedor do que se associar à boca de fumo.”

Segundo a revista Exame, após 30 anos de PF, primeiro como agente federal, depois como delegado, Jorge Barbosa Pontes leva no currículo passagens por setores estratégicos da corporação e investigações complexas numa época em que os recursos eram escassos.

DOSSIÊ CAYMAN – Por exemplo, foi ele quem descobriu a farsa do célebre ‘Dossiê Cayman’, um punhado de papéis montados por estelionatários que pretendiam vender a opositores informações forjadas contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a campanha eleitoral de 1998. Por causa do dossiê, o pastor Caio Fábio foi processado e condenado a quatro anos de prisão.

Pontes foi o autor da proposta que originou a criação da unidade especializada da Polícia Federal que combate à delinquência ambiental no país.

Recentemente, foi nomeado para a Diretoria de Ensino e Estatística da Secretaria Nacional de Segurança Pública, e recebeu do ministro da Justiça, Sérgio Moro, a missão de ‘pensar e repensar’ a formação e o treinamento das polícias.

O livro “Crime.Gov” será lançado nesta quinta-feira na livraria da Travessa, no Shopping Leblon, a partir das 18 horas.

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