Cientista da Marinha participava da quadrilha de Temer e corrompeu a própria filha

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Othon Pinheiro é uma das maiores decepções das Forças Armadas

Carlos Newton

Um dos detalhes mais importantes da Operação Radioatividade, deflagrada em julho de 2015, foi o fato de ter apontado indícios de fraude de licitação, corrupção e lavagem de dinheiro na obra da usina nuclear Angra 3. Na época, a empresa Eletronuclear era presidida pelo vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, que teve sua prisão pedida pelo MP, mas foi negada pelo juiz.

Sua participação nos crimes tem especial importância, por se tratar de um dos maiores mitos das Forças Armadas brasileiras, considerado o pai do revolucionário programa nuclear da Marinha brasileira, que faz enriquecimento de urânio a baixo custo e pode até transformar o Brasil numa potência atômica, como se dizia antigamente.

A Operação Radioatividade provou que contratos firmados na construção da usina nuclear de Angra 3 pela Argeplan, empresa do coronel PM João Batista Lima, foram usados em 2014 no desvio de aproximadamente R$ 1,5 milhão, segundo a denúncia do Ministério Público Federal, para promover obras na luxuosa casa de Maristela Temer, uma das filhas do ex-presidente.

SURPRESA – O envolvimento do vice-almirante Othon Pinheiro na corrupção foi uma das maiores decepções das Forças Armadas, porque até então ele era considerado um exemplo de militar e cientista, na maior patente que pode ser atingida por oficial integrante do Corpo de Engenheiros e Técnicos Navais da Marinha do Brasil.

Com a tripla especialização de engenheiro naval, mecânico e nuclear, a biografia de Othon Pinheiro está intimamente relacionada ao programa nuclear brasileiro. Era reconhecido e festejado por ter sido um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da versão brasileira da tecnologia de ultracentrifugação para enriquecimento de urânio.

Essa tecnologia permite que o Brasil domine toda a cadeia produtiva da energia nuclear, para uso civil no abastecimento das usinas nucleares do país e também para uso militar na propulsão do submarino nuclear SN Álvaro Alberto (SN-10), em construção no Rio de Janeiro.

DUAS PRISÕES – O vice-almirante Othon Pinheiro foi preso pela primeira vez na fase inicial Operação Radiotividade, 16ª fase da Operação Lava Jato desencadeada pelas delações de Dalton Avancini, um ex-executivo da empreiteira Camargo Corrêa. Posteriormente voltou a ser preso na Operação Pripyat, desdobramento da anterior que investigou denúncias de corrupção na Eletronuclear.

O oficial da Marinha foi condenado em primeira instância pelo juiz Marcelo Bretas a uma pena de 43 anos e ficou preso na Base de Fuzileiros Navais do Rio Meriti, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Mas foi libertado por um habeas corpus concedido em outubro de 2017 pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

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