TODO O PODER ÀS MULHERES! Por JOSUÉ MACHADO

… já está em estudos nos laboratórios da NASA um sistema de viseiras, bem mais delicadas e menores do que as usadas em cavalos, para limitar o foco dos olhares masculinos. As dos cavalos arreados os impedem de olhar para os lados; as dos homens impedirão que olhem para baixo, mesmo dobrando o pescoço…

Por JOSUÉ MACHADO

Pouca gente de bom senso duvida de que em certas regiões a mulher é tratada como objeto pelo homem, esse animal primitivo.

Não se fala só de países africanos, asiáticos ou do Oriente Médio, em que impera a cultura de toscas religiões primitivas (Haverá alguma não primitiva?), mas dos arrabaldes por aí ou nem tanto.

Nem tanto, como se viu com o porcalhão daquele produtor cinematográfico de Hollywood, o Harvey Weinstein, que detonou de vez a bomba oculta da safadeza, com o assédio maligno — o verdadeiro — que se serve do poder, da intimidação e da violência para submeter a vítima. Esse por certo é o assédio indiscutível.

Mas não há dúvida de que, com a veemência das tomadas de posição a favor  do feminismo exacerbado ou contra ele, nas regiões civilizadas em breve o homem se sentirá compelido a olhar a mulher apenas da testa ao pescoço; se for por trás, apenas da cabeça até a cintura, e olhe lá. Com o pescoço, região que tem seu fascínio para alguns, será preciso tomar cuidado.

Mas olhar apenas se necessário e quando necessário.

…Hão de ser olhares inocentes como os de Adão para Eva antes do pecado. Sim, basta pensar em Adão saltitando atrás de borboletas apenas para as ver (como diria o ultrapassado Temer) de perto, cheias de cores vivas! Isso antes da intervenção da serpente maligna, é claro. 

 

Aquele que olhar um pouco abaixo desses limites algo neutros correrá o risco de ser apontado como assediador.

Primeiro, o desprezo geral. Em seguida, multas e penas mais pesadas, do açoite à prisão.

Por isso já está em estudos nos laboratórios da NASA um sistema de viseiras, bem mais delicadas e menores do que as usadas em cavalos, para limitar o foco dos olhares masculinos. As dos cavalos arreados os impedem de olhar para os lados; as dos homens impedirão que olhem para baixo, mesmo dobrando o pescoço. Se o homem tentar burlar as limitações impostas pelas viseiras, soará um apito, e ele levará um choque elétrico; pequeno à primeira infração, mas crescente em intensidade nas reincidências.

E, mesmo quando olharem as mulheres nos olhos, será preciso tomar cuidado para que não se interpretem tais olhares como indutores do pecado: nada de centelhas chamejantes. Piscadelas nunca mais; melhor olhá-las, se não houver jeito, na testa ou no queixo, regiões aparentemente neutras, incapazes de produzir segundas ou mais intenções pecaminosas.

Hão de ser olhares inocentes como os de Adão para Eva antes do pecado. Sim, basta pensar em Adão saltitando atrás de borboletas apenas para as ver (como diria o ultrapassado Temer) de perto, cheias de cores vivas! Isso antes da intervenção da serpente maligna, é claro.

Verdade que Adão foi induzido ao pecado da carne – talvez o pior de todos, valha-nos Deus! — por Eva, que tudo começou com a ajuda da serpente chifruda e aquele maldito fruto bem lá no meio do Éden florido.

Estaria a árvore do Bem e do Mal ali só como enfeite?

Depois dizem que a culpa é do homem…

  JOSUE 2   Josué Rodrigues Silva Machado, jornalista, autor de “Manual da Falta de Estilo”, Best Seller, SP, 1995; e “Língua sem Vergonha”, Civilização Brasileira, RJ, 2011, livros de avaliação crítica e análise bem-humorada de textos torturados de jornais, revistas, TV, rádio e publicidade.

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