Morre Tom Jobim

Em 8 de dezembro de 1994, morreu Tom Jobim, um dos maiores ícones da cultura nacional

Morre Tom Jobim
Em vários lugares do Rio de Janeiro é revelada a importância de Tom Jobim para a cultura (Foto: Reprodução/Portal Jobim)
Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o músico e compositor responsável pela transformação de Ipanema no bairro da garota mais famosa do mundo, a da canção que fez em parceria com Vinicius de Moraes, nasceu no bairro carioca da Tijuca no dia 25 de janeiro de 1927. Aos quatro anos de idade, mudou-se para Ipanema, onde iniciou sua trajetória musical, somente encerrada em 8 de dezembro de 1994, quando morreu em Nova York, aos 67 anos, vítima uma parada cardíaca, provocada por uma embolia pulmonar.

Em vários lugares do Rio de Janeiro é revelada a importância de Tom Jobim para a cultura em geral, não unicamente para a música brasileira. Homenagens póstumas ajudam a não se deixar esquecer seu nome, como acontece frequentemente com figuras importantes para a história. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, por exemplo, passou a se chamar Aeroporto Internacional Tom Jobim. O Parque Tom Jobim, na Lagoa, é mais um lugar a homenagear esse brasileiro.

O bar que inspirou a dupla Tom e Vinicius a compor Garota de Ipanema em 1962, uma das músicas mais gravadas do mundo, ainda existe. Fica no mesmo endereço, na rua Vinicius de Moraes, esquina com a Prudente de Morais, em Ipanema. Porém, antes conhecido como Bar do Veloso, o local foi rebatizado com o nome da canção.

Outra lembrança da associação entre Tom Jobim e o bairro de Ipanema é o apartamento 201 da rua Nascimento e Silva 107, endereço habitado por Tom de 1953 a 1962 e que é citado na canção “Carta ao Tom 74”, composta em 1974 por Toquinho e Vinicius de Moraes. Tentou-se ainda trocar o nome da Avenida Vieira Souto, que beira a praia ipanemense, para Avenida Tom Jobim. A mudança foi vetada na Justiça por intervenção da família Vieira Souto. Se consumada, daria origem a uma esquina inusitada: Vinicius de Moraes com Tom Jobim.

Tom começou a estudar piano em 1941, com o professor Hans Joachim Koellreuter. Teve como professores ainda Lúcia Branco, Tomás Terán, Leo Peracchi e Alceu Bocchino. Cursou a Faculdade de Arquitetura, chegando a trabalhar em um escritório, mas por pouco tempo.

No início de sua carreira de músico, na década de 1950 – quando estava casado com Thereza Hermanny, com quem teve seu primeiro filho Paulo Jobim, que se tornaria músico como o pai, e Elizabeth, sua primeira filha, que se tornaria artista plástica e participaria da Banda Nova, grupo que acompanhou Tom nos últimos anos de sua carreira – atuou como pianista em casas noturnas cariocas como Drink, Bambu Bar, Arpège, Sacha’s, Monte Carlo, Night and Day, Casablanca, Tasca e Alcazar.

Costumava revezar com Newton Mendonça, de quem se tornaria grande amigo e depois parceiro. Juntos, os dois fizeram sucesso com “Foi a Noite”, gravada por Silvinha Telles em 1957. A parceria também resultou em outras canções que estouraram, como “Desafinado” e “Samba de uma nota só”, conhecidas na voz de João Gilberto. “Incerteza”, uma das primeiras feitas pela dupla, configura o primeiro registro fonográfico de uma composição de autoria de Tom Jobim, o que ocorreu em 1953. Essa canção foi lançada nesse ano pela gravadora Sinter, no disco de 78 rpm de Mauricy Moura.

Os discos de 78 rpm, comumente utilizados na época, foram também os que guardaram os primeiros registros de arranjos de Tom gravados pela Continental. Em 1954, saiu um com a gravação de “Outra vez” na voz de Dick Farney. No mesmo ano e na voz do mesmo cantor junto com Lúcio Alves, surgiu o sucesso “Tereza da praia”, parceria de Tom com Billy Blanco. Já em LP, também em 1954, saiu “Sinfonia do Rio de Janeiro”, com arranjos de Radamés Gnatalli.

Tom Jobim foi gravado por um elenco de grandes vozes – muitas delas sucessos da Era de Ouro do rádio brasileiro – que inclui Dóris Monteiro, Orlando Silva, Nora Ney, Dalva de Oliveira e Lúcio Alves. Elizeth Cardoso gravou “Chega de Saudade”, de Tom e Vinicius, lançada no LP “Canção do Amor Demais” em 1958. A parceria entre a dupla de compositores completava, então, dois anos de idade, e seria lembrada mais tarde por inúmeros sucessos, entre eles “Só danço samba” e “Samba do Avião”, ouvidos pela primeira vez pelo público no ano de 1962 em um restaurante em Copacabana.

Tom ganhou prêmios e conquistou os EUA

Esse ano, de 1962, foi significativo para os parceiros, não só pelo lançamento dessas duas canções e ainda de “Garota de Ipanema” como pelo prêmio que Jobim recebeu pelo disco João Gilberto, entregue pela National Academy of Recordings Arts and Sciences, na categoria Best Background Arrangement– o primeiro de muitos: em 1982 ele receberia o Prêmio Sharp de Música Brasileira e, em 1994, o Grammy, na categoria Best Latin Jazz Performance.

Foi ainda o ano que ficou marcado pela primeira viagem de Tom aos Estados Unidos, onde participou, ao lado de outros artistas brasileiros, do Show da Bossa Nova, apresentado no Carnegie Hall de Nova York. Dois anos depois, voltaria às terras americanas para se encontrar com Ray Gilbert, que faria versões em inglês para suas músicas.

Os EUA seriam palco de grande sucesso do músico Tom Jobim, que lançou por lá os LPs “The composer of Desafinado plays” (Verve/1963), com arranjos de Claus Oggerman, e “The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim” (Warner Bros/1964). Ainda no início da década de 1960, teve uma versão instrumental de “Desafinado” gravada por Stan Getz e que chegou a vender um milhão de cópias. Em 1967 gravou com Frank Sinatra o LP “Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim”. O ano de 1972 foi marcado pelo lançamento da primeira gravação de “Águas de Março”, que apareceria em gravação histórica em 1974 no disco “Elis & Tom”, gravado em Los Angeles e lançado em 1974.

Dois anos depois, em 1976, Tom conheceria sua segunda mulher, Ana Beatriz Lontra, então com 19 anos. Casaram-se oficialmente em 1986, apesar de terem saído em lua-de-mel já em 1978. Com ela teve João Francisco, em 1979, e Maria Luiza Helena, em 1987.

Uma vertente importante da atuação de Tom Jobim foi a da composição de trilhas sonoras para peças e filmes. Esse tipo de trabalho foi o responsável pela união da dupla Tom e Vinicius em seu primeiro trabalho conjunto: em 1956, quando foi apresentado a Tom, Vinicius convidou-o a musicar sua peça “Orfeu da Conceição”, que estrearia em setembro daquele ano no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre os filmes que tiveram trilhas compostas por Jobim ao longo de sua carreira estão “Garota de Ipanema”, de Leon Hirszman (1967) e, da década de 1980, os longas “Eu te amo”, de Arnaldo Jabor, e “Gabriela”, dirigido por Bruno Barreto.

Fontes:
Itaú Cultural-Tom Jobim
Jobim-Linha do Tempo

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