Em discurso da vitória, Bolsonaro diz que será ‘defensor da democracia e da Constituição’

Político do PSL não menciona adversário, Fernando Haddad (PT), e frisa que seu compromisso com país é ‘juramento a Deus’

Discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro Foto: Picasa / Reprodução TV
Discurso do presidente eleito Jair Bolsonaro Foto: Picasa / Reprodução TV

Ao lado da mulher, Michelle Bolsonaro, e dos principais aliados, Bolsonaro voltou a citar o “slogan” de sua campanha, João 8:32, sobre conhecer e “ser libertado” pela verdade, e disse fazer dos brasileiros “testemunhas” de que o governo defenderá o regime democrático e o texto constitucional.

— Isso não é a promessa de um partido, não é a palavra de um homem, mas um juramento a Deus. A verdade foi um farol que nos guiou até aqui e que vai seguir iluminando o nosso caminho. O que ocorreu hoje nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade. O compromisso que assumi com os brasileiros foi de fazer um governo decente, comprometido com o país e com o povo. E garanto que assim será.

Segundo Bolsonaro, o governo será formado por pessoas “que têm o mesmo propósito de cada um” que o ouvia na televisão: transformar o Brasil em uma livre e próspera nação. O militar reforçou o foco de seu governo na “liberdade” como princípio fundamental e na defesa dos direitos dos cidadãos.

— A liberdade é um princípio fundamental. A liberdade de ir e vir, andar nas ruas, em todos os lugares desse país. Liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de ter opinião. Liberdade de fazer escolhas e ser respeito por elas. Um Brasil de diversas opiniões. Como defensor da liberdade, vou guiar um governo que defenda os direitos do cidadão — ressaltou Bolsonaro, que premeteu uma administração “constitucional e democrática”.

O presidente eleito frisou que vai cortar o desperdício dos gastos públicos e os privilégios “para que as pessoas possam dar muitos passos à frente”. Segundo o militar, seu governo vai “quebrar paradigmas”. Ele reafirmou a intenção de “desburocratizar” a economia e permitir que o empreendedor “tenha mais liberdade para criar e construir seu futuro”. Bolsonaro também ressaltou que, como “quebra de paradigma”, vai “respeitar de verdade a federação”, com repasse de recursos federais para estados e municípios.

— Precisamos de mais Brasil e menos Brasília — destacou o militar — As reformas que nós propomos serão para cirar um novo futuro para o brasileiro. Quando digo isso, falo com uma mão voltada para o seringueiro da selva amazônica e para o empreendedor. Não existem brasileiros do Sul ou do Norte. Somos todos uma só nação. Uma nação democrática — ressaltou o político, que ainda defendeu o direito de propriedade.

Bolsonaro promete emprego, renda e equilíbrio fiscal

Bolsonaro afirmou que “emprego, renda e equilíbrio fiscal” são os compromissos de seu governo. Ele ainda prometeu juros mais baixos para estimular investimentos e gerar empregos. O parlamentar ainda frisou que o déficit público primário precisa ser resolvido.

— Governaremos com olhos nas futuras gerações e não nas próximas eleições — frisou Bolsonaro, em aceno à juventude do país.

No discurso da vitória, Bolsonaro ainda ressaltou que vai reverter o que considerou ser um caráter ideológico das relações internacionais do país e buscar “relações bilaterais com países que possam agregar valores econômicos e tecnológicos aos produtos brasileiros”. Ele prometeu que seu governo vai “recuperar o respeito internacional” do país.

O candidato eleito do PSL lembrou das dificuldades enfrentadas desde o ataque a faca em Juiz de Fora, Minas Gerais, que o deixaram internado durante 23 dias. Ele voltou a agradecer médicos.

— Ganhei uma nova certidão de nascimento. Não perdemos a convicção de que juntos poderíamos chegar a essa vitória. É com essa mesma convicção que afirmo: ofereceremos a vocês um governo decente que trabalhará para todos os brasileiros. Somos um grande país e agora vamos juntos transformar esse grande país em grande nação. Uma nação livre, democrática e próspera. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos — reforçou Bolsonaro, em referência ao nome de sua coligação no fim.

Questionado por jornalistas, Bolsonaro disse que vai “pacificar o Brasil sob a Constituição” e ressaltou que, além dos três nomes já anunciados ministros durante a campanha, o do astronauta Marcos Pontes já está “quase certo” para seu governo. O presidente eleito disse que, “com calma e com cautela”, passará a revelar as outras pessoas que comporão sua equipe. O militar terminou o pronunciamento com homenagem à mulher, que, segundo ele, o ajudou com “paz, segurança e força” na corrida eleitoral.

O Globo

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