Haddad diz que ‘concorda’ com Mano Brown, e PT precisa ‘se reconectar’ com a periferia

Rapper criticou falha na comunicação da sigla com eleitores; candidato do PT à Presidência pondera que partido se recuperou de cenário antipetista de 2016

Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, é sabatinado por G1 e CBN Foto: Reprodução
Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência, é sabatinado por G1 e CBN Foto: ReproduçãoO Globo

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad , destacou em entrevista ao G1 e à CBN que “concordou” com a avaliação do rapper Mano Brownde que o PT falhou em se comunicar com o povo. O cantor ressaltou, durante comício petista nos Arcos da Lapa, na noite desta terça-feira, que a sigla “vai pagar o preço” nas urnas pela desconexão. O presidenciável frisou, na manhã desta quarta-feira, que o partido precisa “abrir o coração para conversar com a periferia”, cujo eleitorado não lhe apoiou no primeiro turno. O ex-prefeito paulista ainda frisou que alterações de programa vieram de sugestões de aliados e que nunca foi colega de petistas que desviaram dinheiro público.

– O que o Mano Brown, que foi me dar apoio, disse, eu concordei. Na minha fala, eu disse que o Mano Brown tinha toda a razão. Nós temos que abrir o coração para conversar com a periferia. A periferia das grandes cidades não votou em nós no primeiro turno. Nós temos que nos reconectar com esse povo. Mas a gente encontrou um caminho de debate, e temos até domingo para fazer esse debate – ressaltou Haddad.

Questionado se o partido voltaria para sua base história de votos após a eleição, em eventual derrota para Jair Bolsonaro (PSL), Haddad apostou nas chances de vitória e destacou que “vai voltar para a base para governar o Brasil”. O petista aproveitou para criticar o adversário por “ameaçar o movimento social” e ter recebido salário de parlamentar e mantido gabinete durante sete mandatos “sem fazer nada pelo país”. Na visão do candidato, o PT vai “virar a eleição porque tem o melhor legado” e o rival “representa tudo de ruim que está saindo dos porões (da ditadura)”.

Confrontado pela avaliação de Mano Brown, Haddad também comentou a crítica do aliado Cid Gomes, cujo partido, o PDT, anunciou “apoio crítico” à campanha petista. Durante comício, o pedetista destacou que o PT fez “muita besteira” no governo e se achava “dono da verdade”. Haddad ressaltou que Cid “não generalizou”.

– Vamos registrar o que o Cid falou de mim. Falou que vai votar no Haddad, fez campanha em Sobral. Ele tem os problemas dele lá com o PT local, que ele apoio. O (governador cearense eleito) Camilo (Santana), que ele apoia, é do PT. Ele não generalizou. Ele criticou a direção do PT, mas salvaguardou o Camilo, disse que o Haddad é boa pessoa, ajudou o Ceará. Como professor universitário, eu tenho a obrigação profissional de fazer análise de onde nós erramos. Agora, sempre digo que não vale a pena jogar fora a criança com a água do banho junto – destacou o ex-prefeito de São Paulo.

Na visão de Haddad, o PT se recuperou do cenário de antipetismo em relação a 2016.

– Não está uma maravilha, mas não está como em 2016. 2016 foi o pior ano nosso, porque parecia que só o PT tem integrantes com problemas – disse. – O PT fez a maior bancada na Câmara, elegeu três governadores, colocou um candidato no segundo turno. Não está bom. Temos que remar, resgatar a confiança das pessoas, demonstrar que vamos resgatar o nosso legado, mas corrigir o que foi insuficiente.

Alteração de programas ‘a pedido dos aliados’

Durante a entrevista, Haddad ainda explicou que alterou o programa de governo – como na retirada das propostas de convocação de Assembleia Constituinte e legalização das drogas – a pedido dos novos aliados de segundo turno, como PSB e PSOL. O candidato não considerou as mudanças “tão significativas”, uma vez que “a espinha dorsal”, segundo ele, foi mantida. Tais alterações teriam servido também para dar clareza ao programa e evitar que o adversário pinçasse uma frase, distorcesse e fizesse alarde na internet.

Haddad citou duas propostas centrais do programa: a federalização do assunto de segurança pública, com o aumento do efetivo da Polícia Federal para combate ao crime organizado, e a reforma bancária, contra o que chamou de “cartel dos bancos”. O petista explicou que uma das ideias da reforma é retirar dificuldades para a entrada de novas instituições financeiras no mercado.

O candidato ainda contemporizou a redução do uso da imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida eleitoral. Disse que a Justiça Eleitoral “proibiu a presença de Lula” em sua campanha. Confrontado com o impacto dos escândalos de corrupção que tocam o PT, Haddad ressaltou que “não tem colega algum que desviou dinheiro público” e que não era colega, por exemplo, do ex-ministro José Dirceu.

– Não eram meus colegas. Em primeiro lugar, cada um que se defenda das coisas que é acusado. Eu não sou juiz para dizer quem errou e não errou. Em 18 anos de vida pública, não teve um fulano que disse ‘Eu dei um centavo para o Haddad’. São (figuras importantes Genoíno e Dirceu), como Beto Richa, Marconi Perillo, Michel Temer. Por que essa fixação com o PT? Se teve gente do PT que errou, eu vou ficar passando a mão na cabeça? Eu não vou pré-julgar. Agora, se errou… – destacou Haddad.

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