‘Guerra contra drogas’ das Nações Unidas é um fracasso, segundo ONGs

A “guerra contra as drogas” liderada pelas Nações Unidas foi um fracasso, avaliaram várias organizações não governamentais ao denunciar mais mortes por overdose, aumento do tráfico e do consumo, assim como abusos dos direitos humanos.

O relatório, publicado nesta segunda-feira, “revela mais uma vez que chegou a hora de acabar a guerra contra as drogas”, declarou Ann Fordham, diretora-executiva do Consórcio Internacional de Políticas de Drogas (IDPC), organismo que reúne mais de 170 ONGs.

No momento em que a ONU tem que definir – em março de 2019 – seu novo plano de ação para os próximos 10 anos em matéria de entorpecentes, a IDPC elaborou um relatório muito crítico das políticas internacionais da última década, amplamente dominadas por um enfoque repressivo iniciado nos anos 1970 pelo então presidente americano, Richard Nixon.

O relatório é baseado especialmente em dados reunidos pelo Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime. Estas estatísticas “não revelam qualquer redução em escala mundial no cultivo de ópio, coca e maconha entre 2009 e 2018”, destaca o IDPC.

No transcurso da última década, o cultivo da papoula para a extração do ópio saltou 130% e a produção mundial de cocaína aumentou 44%.

O consumo também registrou um aumento importante. Segundo o documento, 275 milhões de pessoas consumiram drogas ao menos uma vez em 2016, um crescimento de 31% em relação a 2011.

A droga mais consumida permanece sendo a maconha, seguida por opiáceos e anfetaminas.

Paralelamente, o número de mortes relacionadas às drogas aumentou 145% entre 2011 e 2015, ano em que morreram 450 mil pessoas de overdose no planeta.

“As políticas atuais em matéria de drogas são uma barreira importante para outros objetivos sócio econômicos (…), enquanto milhões de pessoas morrem, são declaradas desaparecidas ou se deslocam por causa da ‘guerra contra a droga'”, declarou Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia.

O IDPC contou “ao menos 3.940 pessoas” executadas por crimes relacionados às drogas na última década e assinala que “33 jurisdições mantêm a pena de morte” para crimes relacionados às leis sobre drogas.

“O desafio em 2019 é saber se a ONU manterá um enfoque ideológico ineficaz ou se deixará mais espaço para a redução dos riscos”, resumiu Céline Grillon, da Médicos do Mundo, organização que integra o IDPC.

Em 2016, uma sessão especial da Assembleia Geral da ONU adotou novas recomendações para o combate às drogas, com maior enfoque para a prevenção do que para a repressão.

AFP / Estado de Minas

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