Reflexões sobre os 98 anos de um jornalista chamado Helio Fernandes

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Helio na Tribuna da Imprensa, após o atentado a bomba

Antonio Soares Aquino

Eu conheci Helio Fernandes em 1953 (conheci mesmo); eu, um humilde militar, e Hélio já despontando como um grande jornalista. É interessante dizer que conheci Helio no “Salão Azul” uma casa de sinuca na Lapa. Ele não apostava, não fumava e não bebia, apenas jogava, primorosamente.

Helio mudou-se do Meier, onde nasceu, aos 15 anos, é dificil acreditar que sempre voltasse para jogar sinuca no Meier e no Lins. No “Salão Azul” apinhado de espectadores, perguntei a um deles: “Quem é este senhor?”. Resposta: “É um jornalista”. Depois cheguei a falar com ele na Lapa, creio que trabalhava na “Manchete” e vinha de bonde entre 20 e 21 horaa. Eu servia no Superior Tribunal Militar.

NA LAPA – A duzentos metros do Largo da Lapa ficava o Palácio Monroe, onde funcionava o Senado. A frequência na Lapa, até certa hora, era muito boa. Na madrugada a coisa esquentava. Anos depois conversei diversas vezes rapidamente com Helio na Lagoa Rodrigo quando caminhávamos. No princípio, Helio fazia cooper. Depois passou a caminhar.

Helio jamais pediria para alguém escrever artigos para ele assinar. Nunca poupou os poderosos. Todos, inclusive generais, sentiram o peso de suas críticas ferinas. Tanto assim que não deixaram que fosse candidato em 1966, com eleição garantida.

Depois foi confinado por três vezes em Fernando de Noronha, Pirassununga e Campo Grande. Foi, sim, amigo de Lacerda, mas não cultivava o ódio que Lacerda tinha de Getúlio. Está certo quem disse que pela lógica foi pela prisão de seus tios, que eram comunistas.

A TRIBUNA – Lacerda vendeu a Tribuna da Imprensa para Nascimento Brito, genro da Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil, que depois revendeu a  Tribuna para o Helio, que sempre foi um jornalista diferenciado. Crítico mordaz, mas muito elegante e carinhoso com amigos. Ninguém de bom caráter pode falar mal de Helio. Não sei se chegou ao fim a ação judicial contra o governo por terem dinamitado seu jornal e o impedirem de trabalhar por uns dez anos, um processo que se arrasta por uns 40 ou mais. E agora Carlos Newton me informa que ainda vai ser julgada do Superior Tribunal de Justiça.

Hélio é um forte. Perdeu dona Rosinha, dois filhos e o irmão Millôr, um logo atrás do outro. Continuou impávido, trabalhando escrevendo, o que é sua paixão. Parabéns ao Helio por seus 98 anos de vida e lutas. Digo por ele o que escreveu Omar Ibn Ibraim El Caian, um dos maiores filósofos da Pérsia, em seu livro “Quartetos”: “Os cães ladram e a caravana passa”. Mais vida e mais saúde, Hélio.

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