De volta para o futuro, Haddad ataca as “zelites” pelo apoio a Bolsonaro

Candidato Fernando Haddad em entrevista para a agência AFP (NELSON ALMEIDA / AFP) Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Haddad repete o bordão que Lula costumava usar

Sérgio Roxo
O Globo

As declarações do senador eleito Cid Gomes (PDT) praticamente enterraram as esperanças de Fernando Haddad (PT) de montar uma frente em torno de sua candidatura no segundo turno da disputa presidencial contra Jair Bolsonaro (PSL). Sem a possibilidade de ampliar o arco de alianças, os petistas decidiram se voltar para os eleitores mais pobres, historicamente simpáticos ao ex-presidente Lula e que migraram para o adversário. Nesta terça-feira, o presidenciável retomou o discurso petista de ataques às elites.

Diante do impacto negativo das declarações de Cid, logo na manhã desta terça-feira, Haddad convocou uma reunião com o senador eleito Jaques Wagner, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-presidente Rui Falcão, entre outros, para definir uma forma de reação. Foi acertado que a campanha intensificará ações nas periferias, com carros de som e atividades por parlamentares.

CONTRA AS ELITES – Como uma tentativa de não enfrentar isolamento, Haddad decidiu participar, durante a tarde, de uma encontro promovido pelos frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúne movimentos sociais como a CUT, o MST e o MTST. No evento, Haddad acusou a elite brasileira de apoiar Bolsonaro para se contrapor à classe trabalhadora:

— O significado da elite estar aliada a esse candidato (Bolsonaro) é que ela está disposta a tudo para vencer o povo e a classe trabalhadora.

O petista afirmou que apoiaria, “talvez com dor no coração”, qualquer candidato que enfrentasse Bolsonaro num segundo turno. “A nossa elite, ao contrário, está disposta a apoiar qualquer candidato para evitar a retomada de um projeto de desenvolvimento com inclusão social, que é que nós estávamos até o golpe (impeachment da presidente Dilma Rousseff) — afirmou o candidato, que tentou passar otimismo aos presentes ao dizer que quando foi eleito prefeito de São Paulo, em 2012, também aparecia atrás nas pesquisas.

RECADO AOS GOMES – O candidato mandou ainda recado para Ciro Gomes e seu irmão Cid ao elogiar a sua vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), e o candidato derrotado, no primeiro turno, do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, que estava presente, por terem se posicionado na disputa eleitoral. Comparou a atitude da dupla com o apoio dado por Leonel Brizola, figura histórica do PDT de Ciro Gomes, e por Mário Covas (PSDB) e Miguel Arraes (PSB) a Lula no segundo turno contra Fernando Collor, em 1989.

— Sem pedir nada em termos pessoais ou partidários, vocês colocaram os interesses nacionais e democráticos acima de qualquer outro interesse – disse a Manuela e Boulos.

CRÍTICAS DE CID – Em evento de apoio a Haddad na noite desta segunda-feira em Fortaleza, Cid cobrou um pedido de desculpas do PT pelas “besteiras que fizeram” e disse que que o partido “criou” Bolsonaro.

Reservadamente, os petistas reconhecem que a “frente democrática” dificilmente se consolidará. Jaques Wagner, responsável pela articulação política da candidatura, até negou que a campanha tenha esse objetivo, ao contrário do que vinha sendo propagada pelo presidenciável e seus aliados.

— A gente quer ampliar com a sociedade. A gente conversa com todo mundo, mas não tem ideia de frente — afirmou.

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