Jobim reativa vínculo com o MDB após ser cotado para sair candidato

Insatisfeitos com Meirelles, aliados querem lançá-lo a presidente ou vice

Por Fernanda Krakovics e Roberto Maltchik

Diante do fraco desempenho do presidenciável emedebista Henrique Meirelles nas pesquisas, setores do MDB e do PSDB defendem o nome do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim para disputar a Presidência ou ser vice do tucano Geraldo Alckmin. Mas Jobim não tem apoio suficiente em seu próprio partido e, publicamente, diz não ter mais aspirações políticas.

O ex-ministro entrou, porém, com uma petição na Justiça Eleitoral, no último dia 4, para regularizar sua filiação ao MDB, o que foi acatado. Apesar de ter voltado a integrar os quadros do partido em 30 de junho de 2006, depois que se aposentou do STF, seu nome não constava da lista de filiados por um problema burocrático. Ao revalidar sua filiação partidária, Jobim atendeu a um pedido de correligionários gaúchos.

Embora esteja sendo pressionado por aliados a apresentar seu nome para a disputa presidencial, Jobim fez um apelo, há cerca de duas semanas, para que esse movimento fosse interrompido. O ex-ministro teme um embaraço com Henrique Meirelles, pré-candidato do MDB, que está estacionado com 1% das intenções de voto nas últimas pesquisas.

Antes de visita a Porto Alegre, em junho, Meirelles conversou por telefone com Jobim. Na ocasião, elogiou a atuação pública do ex-presidente do STF, mas se mostrou surpreso com a possibilidade de ele entrar na briga pela vaga de candidato. A ligação foi compreendida como um pedido para que Jobim ou aliados não prejudiquem a já combalida campanha do partido do presidente Michel Temer.

— Jobim tem um perfil que é raro, ele foi ministro do Lula e do Fernando Henrique, foi presidente do Supremo, é muito benquisto nas Forças Armadas. Ele seria um candidato para unir muitas pontas no Brasil, seria um bom nome — diz o deputado Osmar Terra (MDB-RS).

No fim de maio, Jobim almoçou com o ex-presidente Fernando Henrique, que tem defendido a convergência das candidaturas de centro.

— Tem muita gente simpática a ele (Jobim) dentro e fora do MDB, mas acho difícil que o MDB o escolha. Ele seria uma opção para vice — disse o ex-vice-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB).

Tesoureiro do PSDB e um dos aliados mais próximos de Alckmin, o deputado Silvio Torres (SP) minimizou o encontro entre Jobim e FH.

— O Fernando Henrique tem conversado com vários líderes tentando ajudar na formação de coligações. Não adiantamos qualquer conversa com quem tem candidato a presidente — disse ele, em referência à pré-candidatura de Meirelles.

Jobim foi ministro da Justiça de FH e da Defesa de Lula. Ele continuou nessa pasta no governo Dilma Rousseff, mas caiu após criticar as então ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Atualmente, Jobim é responsável pelas políticas de compliance (padrão de integridade administrativa) do banco BTG Pactual e conselheiro da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). Ele está em viagem pela Europa e sua volta ao Brasil estava prevista para os próximos dias.

 

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