Fator Marília Arraes coloca dúvida no PT

Marilia Arraes é pré-candidata ao Governo do Estado

Marilia Arraes é pré-candidata ao Governo do Estado Foto: Bruno Campos/Divulgação

A tendência positiva da vereadora Marília Arraes (PT) nas recentes sondagens para o governo do Estado têm colocado em dúvida as negociações de aliança entre PT e PSB em torno da reeleição do governador Paulo Câmara. O adiamento dessa definição para o fim de julho, inclusive, é visto como uma tentativa de contornar o vulto que a vereadora ganhou após as suas andanças do Sertão à capital.

Além do senador Armando Monteiro (PTB), oficializado pré-candidato, Marília é o único nome viável, segundo analistas, e precisa cair em campo de imediato, se o PT quiser alcançar protagonismo no cenário local. Mas contra a petista, pesam o desconhecimento e a falta de estrutura para obter palanques nos municípios.

A cientista política Priscila Lapa pondera que é necessário observar a tendência de Marília nas próximas pesquisas para confirmar a consolidação do nome da vereadora na corrida para o Executivo estadual. “Ela não é uma candidata com imagem ruim. Tem uma imagem leve, tem os requisitos que as pessoas procuram ultimamente nesse desejo de renovação. Não associam o nome dela com corrupção, apesar de ela estar no PT, que tem uma imagem desgastada nesse sentido”, avalia.

A analista aponta que a herança familiar proporcionada pelo avô Miguel Arraes tem um peso especial na disputa, mas não é a variável determinante. “Ao se distanciar do PSB em 2014, ela teve uma postura coerente, cresceu politicamente, ganhou visibilidade. Faz um discurso coerente, o seu rompimento foi programático, ao afirmar que não concordava com a forma como o partido vinha conduzindo a gestão. Além disso, ela teria consistência de chegar ao eleitor decepcionado com a gestão de Paulo Câmara, sem necessariamente dar uma guinada à direita, como é o caso de Armando, que tem DEM e PSDB como aliados”, considera a professora.

O cientista político Elton Gomes, por sua vez, pondera que a visão nacional deverá prevalecer no debate entre lançar Marília ou se aliar ao PSB. A aproximação do PT com o PSB, em Pernambuco, será refletida em outros estados, como Minas Gerais (Fernando Pimentel, do PT) e São Paulo (Márcio França, do PSB), onde esses partidos disputam o Executivo estadual com chance de vencer. A divisão, nesse caso, poderia favorecer candidatos do espectro oposto, como é o caso do senador Antonio Anastasia (PSDB), em Minas, e do ex-prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), pré-candidato ao governo paulista.

Sobre os ombros da direção nacional do PT ainda pesa a responsabilidade de pelo menos manter a bancada eleita em 2014, com 70 deputados. Hoje o partido tem 61 deputados federais. Segundo as regras vigentes, a sigla receberá cerca de R$ 200 milhões do fundo eleitoral. Esse número de parlamentares é fundamental para assegurar tal estrutura de recursos de orçamento que permite aos petistas um pesado financiamento. Só que há uma perspectiva de redução da bancada, já que a legenda reduziu pela metade o número de prefeitos na eleição de 2016. Nesse sentido, uma estratégia mais competitiva passa essencialmente pela eleição proporcional.

Elton pontua que o governador Paulo Câmara, atualmente, detém a maior coalizão de partidos, o que gera maior tempo de televisão e maior estrutura de prefeitos. “A tendência é que quando começar a campanha real, tendo mais tempo de TV e com a campanha mais curta, Paulo se distancie dos outros competidores. Teremos a reedição do embate de 2014, entre Paulo e Armando. Bancar a candidatura de Marília ao governo teria um custo muito alto para o PT, que necessita de bancada federal para manter os recursos partidários“, apostou o especialista.

Na visão do cientista político Leon Victor de Queiroz, o PT é um partido que concentra o poder de decisão nas mãos do diretório nacional, o qual já demonstrou interesse na política de alianças. “Nesse caso, não adianta a força dela, o quanto ela tá mobilizando e se tá bem colocada. O diretório nacional está pensando em fortalecer a bancada. Pensando logicamente, é a nacional que deve decidir a estratégia, porque unifica o programa do partido. Decidir nos estados é uma lógica inversa, que não é bom nacionalmente, não ajuda o partido”, verifica.

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