Famílias que tiveram moradias destruídas no Barro pedem doações

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Incêndio ocorreu nesse domingo em comunidade do Barro e destruiu seis moradias

Vinte e quatro horas após o incêndio na comunidade Carolina de Jesus, em frente ao Terminal Integrado do Barro, Zona Oeste do Recife, as seis famílias que perderam seus barracos suplicam por doações para reconstruírem a vida. Elas pretendem voltar a morar no mesmo lugar onde viram as chamas consumirem as moradias. Até lá, estão contando com a solidariedade de parentes e dos próprios vizinhos, que, mesmo no apertado espaço de suas casas, cederam um cantinho no mesmo barraco para quem não tem para onde ir.

O incêndio ocorreu por volta das 11h desse domingo, quando um dos moradores foi preparar o almoço no fogo à lenha. Com o vento, as chamas se espalharam rapidamente nos seis barracos de papelão, destruindo móveis, eletrodomésticos, roupas, documentos e todos os outros pertences. Por sorte, não houve feridos nem outras residências foram atingidas.

A dona de casa Maria dos Prazeres, 37 anos, foi uma das moradoras que perdeu a casa e bens materiais no incêndio. Mãe solteira, ela e os três filhos, entre eles uma criança de 1 ano e 3 meses, foram acolhidos por uma das vizinhas da comunidade. No momento do incêndio, ela estava dando apoio às famílias da ocupação Marielle Franco, no Centro do Recife, quando ligaram para ela. “Me desesperei. Só veio à cabeça os meus filhos”, relembrou. Ao chegar ao local, viu tudo o que construiu com o dinheiro da água que vende nos sinais de trânsito virar cinza. Agora, assim como ela, as famílias clamam por ajuda. Vestimentas, roupas de cama, material de higiene pessoal, comida e até material de construção civil. “Tudo é bem-vindo e essencial nessas horas”, reforçou Maria.

Quem quiser doar não tem mistério. Basta ir até a comunidade Carolina de Jesus entregar os donativos. A comunidade fica bem em frente ao terminal. “Neste primeiro momento, vamos nos juntar para limpar o terreno e definir, em assembleia, o que faremos. Mas desse jeito é que não vai ficar. O que aconteceu é reflexo do descaso do poder público com a gente”, reclamou uma das coordenadoras do movimento de ocupação Carolina de Jesus, Jô Cavalcanti. Segundo ela, no período de um ano e quatro meses que a comunidade se instalou no lugar, nenhuma negociação com a Secretaria de Habitação (Sechab) avançou. “Estamos enquadrados no Programa Minha Casa, Minha Vida e nada até agora. Queremos moradia digna. Ninguém está nessa situação porque gosta ou quer”, queixou-se.

Em nota, a Secretaria de Habitação informou que “a respeito da comunidade Carolina de Jesus, no Barro, a Sechab está executando estudos técnicos no local e analisando a viabilidade de desapropriação de uma área particular. O espaço é remanescente da ampliação do TI do Barro e poderá, dependendo do resultado dos estudos, servir para construção de habitacional pelo Programa Minha Casa Minha Vida”.

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro

Moradora da comunidade Carolina de Jesus, no Barro

Fotos:Folhape

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