Sem Joaquim Barbosa, PSB fica entre Ciro Gomes e liberação de diretórios

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Não se deve brincar de política, afirma Siqueira

Sérgio Roxo, Catarina Alencastro e Cristiane Jungblut
O Globo

Com a desistência de Joaquim Barbosa, o PSB deve definir, nas próximas semanas, entre dois caminhos para a eleição presidencial deste ano: uma aliança com Ciro Gomes (PDT) ou a liberação dos diretórios estaduais para apoiarem o candidato que for mais conveniente para os interesses regionais. Desde a morte de Eduardo Campos em 2014, o partido enfrenta uma profunda divisão interna.

A opção por Ciro agrada às lideranças do Nordeste. Entre os estados que têm simpatia por um acordo com o pré-candidato do PDT está Pernambuco, que possui o maior número de representantes no diretório nacional. O estado é ligado à história do partido por causa dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos. Dirigentes de outras regiões também reconhecem, reservadamente, que o apoio ao pré-candidato do PDT é o mais viável.

NO PERFIL – O congresso do partido, realizado em março, definiu que, caso houvesse aliança na eleição presidencial deste ano, ela deveria ser feita com um candidato de centro-esquerda, o que se encaixa no perfil de Ciro.

Apesar de não ter citado nominalmente o pedetista, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, defendeu ontem a união das legendas de esquerda em torno de um candidato. “Precisamos ter uma frente em defesa da democracia, é preciso reconstruir e voltar a incluir a sociedade. Precisamos discutir isso com outras forças como o PT, o PCdoB, o PDT. Temos que nos aglutinar em torno de uma candidatura” — disse o governador.

Coutinho afirmou ainda que é preciso “encarar a realidade” de que o ex-presidente Lula (PT) não deverá ser candidato. Ele é favorável a que o ex-presidente também puxe esse processo de unificação da esquerda, que ele prefere chamar de “campo da esquerda ampliado”, por reunir setores da sociedade “cansados de tudo isso que está acontecendo”.

NOVA DISCUSSÃO – O presidente da legenda, Carlos Siqueira, evita falar em nomes e diz que o PSB deve se reunir nos próximos dias para discutir, “com tranquilidade”, os rumos após a desistência de Barbosa. Ele acrescenta não ser favorável à liberação dos diretórios estaduais. “É uma hipótese pela qual eu pessoalmente não tenho a menor simpatia”, ressalva.

A proposta de dar autonomia para cada estado decidir com quem se aliar é defendida pelo governador de São Paulo, Márcio França, que foi vice de Geraldo Alckmin e vai disputar a reeleição. França já anunciou que, independentemente da posição da sigla, vai apoiar o tucano para presidente.

Questionado ontem sobre o caminho que o partido deve seguir, o governador paulista não respondeu. Declarou apenas que a desistência de Barbosa era previsível: “Nas condições atuais de periculosidade, adversidade e risco, só sobreviverão os profissionais”, pontuou.

ALCKMIN SONHA – Logo após a desistência de Barbosa, Alckmin fez uma sinalização em direção ao PSB. “Por mim, já seríamos aliados do PSB” — disse o tucano, que reforçou, porém, que ainda não poderia cravar uma aliança entre as duas legendas:

 

“Vamos respeitar, é outro partido, com lógica própria. Temos que respeitar o tempo deles. Isso se decidirá com o tempo. Vamos aguardar”.

Siqueira não fechou as portas para um acordo com Alckmin, apesar de o pré-candidato tucano ter divergências com relação a algumas posições do partido, como a defesa da reforma da Previdência do governo Michel Temer. “Todos que nos procurarem nós vamos levar o nome à mesa e analisar” — afirmou o presidente do PSB.

BRINCAR DE POLÍTICA – Uma ala do partido, representada pelo vice-presidente Beto Albuquerque, ainda é favorável ao lançamento de candidatura própria, mas a ideia é rechaçada por outros dirigentes. “Candidatura própria tem que ter viabilidade. Não podemos brincar de fazer política” — descartou Siqueira.

O secretário-geral da legenda, o ex-governador Renato Casagrande (Espírito Santo), também descarta uma candidatura própria. “O PSB não tem um candidato próprio (natural). Um nome que tenha um número muito pequeno de votos fragiliza o partido. Eu defendo que a gente tenha uma aliança”.

Casagrande citou os nomes de Ciro, Alckmin, Marina Silva (Rede) e Álvaro Dias (Podemos) como cabeças de chapa numa possível aliança. “Se o PSB tiver uma posição, não fugirá desses quatro”.

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