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Renan faz novos ataques ao MP e critica benefícios a delatores da Lava Jato

Alvo de inquéritos, líder do PMDB subiu à tribuna e fez pronunciamento de 45 minutos. Em abril, Renan já havia dito que Ministério Público tenta ‘desmoralizar homens públicos de bem’.

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Por Gustavo Garcia
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), fez um pronunciamento nesta segunda-feira (29) no qual dirigiu novos ataques ao Ministério Público e criticou benefícios dados a delatores da Lava Jato.

Alvo de inquéritos e citado em delações, Renan já havia acusado o MP, em abril deste ano, de tentar “desmoralizar homens públicos de bem”. Em 2016, ainda como presidente do Congresso Nacional, o peemedebista chegou a dizer que o Ministério Público “passou a fazer política”.

No pronunciamento desta segunda, de cerca de 45 minutos, Renan Calheiros criticou a “generosidade” da Procuradoria-Geral da República em relação a delatores.

Procurada, a assessoria da PGR informou que não iria comentar as declarações de Renan.

“Existem pelo menos dois exemplos dessa curiosa generosidade da delação […] Nesse caso, não tratamos diretamente de generosidade, mas de ‘janosidade’ porque trata-se do Ministério Público Federal”, disse Renan.

Durante o pronunciamento, o líder do PMDB criticou os temos do acordo de delação dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.

Joesley, por exemplo, poderá pagar a multa de R$ 110 milhões em 10 anos; não poderá ser denunciado; e poderá pedir medidas de segurança paa ele e a família.

“Outras vantagens foram concedidas aos irmãos Joesley e Wesley Batista, também orientados a gravar conversas em que afirmam ter construído todo seu imenso patrimônio com práticas criminosas. Porém, com o beneplácito do procurador-geral da República pagarão uma multa irrisória diante do tamanho do rombo e não sofrerão qualquer reprimenda. Ricos, impunes e no exterior”, acrescentou o líder do PMDB.

Renan também criticou os termos do acordo de delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

“[Sérgio Machado] desviou da empresa mais de R$ 256 milhões em benefício dele e de sua família. Sérgio Machado e seus filhos vão devolver, em parcelas, somente R$ 75 milhões do valor desviado. Eles não serão denunciados e todos os processos serão suspensos. Em resumo, impunidade total”, disse Renan.

Saiba abaixo o que o líder do PMDB falou sobre outros temas no pronunciamento e em uma entrevista concedida à imprensa:

Prisão preventiva
“A prisão preventiva é decretada para aterrorizar e obter delações. Dedurar, inventando situações para sair da prisão, passou a ser um bom negócio para criminosos confessos, recompensados com a impunidade e a lavagem do dinheiro público roubado”.

Liderança do PMDB
“A essa altura da minha vida, o que eu posso temer? Não temo nada. A bancada é muito importante, todos têm comigo o melhor relacionamento. Mas amanhã [terça, 30] é importante para que a bancada diga que país ela pensa que pode ajudar a construir”.

Novo ministro da Justiça
“Eu cumprimentei [no discurso] o presidente pela nomeação de um ministro da Justiça que está à altura do cargo, que um dia eu já ocupei, para fazer essa interlocução nesse momento dramático da vida nacional. Um ministro que cobre dos Poderes que sejam leais à Constituição.”

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