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Treze índios ficam feridos em ataque e com mãos decepadas, MA.

 

Reprodução/Cimi

Um ataque deixou ao menos 13 indígenas do povo Gamela feridos, sendo três em estado grave, no Povoado de Bahias, em Viana, no Maranhão. Um deles chegou a ter as mãos decepadas e os joelhos cortados. De acordo com Inaldo Cerejo, um dos indígenas presente no ataque, a ação ocorreu no domingo (30), por volta das 17h, quando os índios deixavam uma área retomada por eles no último dia 28. “Avaliamos que não era seguro e começamos a recuar. Ficou apenas um grupo menor, que sofreu o ataque”, disse.

O território reivindicado pelo povo Gamela não foi demarcado pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Cerejo foi baleado na cabeça e fraturou os dedos da mão. Ele e outros quatro indígenas baleados foram levados para o hospital Socorrão 2, em São Luís. Cerejo e Francisco da Luz já receberam alta.

Outros três permanecem internados. Um deles é Aldeli Ribeiro, que teve as mãos amputadas e os joelhos cortados, além de ter sido atingido por um tiro na costela e um na coluna. Seu irmão, José Ribeiro, levou um tiro no peito e também permanece hospitalizado. O terceiro baleado é José Ribamar.

Os demais feridos tiveram cortes de facão pelo corpo e foram atendidos em Viana e cidades próximas.

“O grupo estava armado com espingardas e revólveres. Parece que estava tudo já programado para o ataque. A polícia estava lá parece que só esperando uma tragédia. Hoje de manhã o boato na região é de que eles voltariam para invadir uma aldeia que foi construída depois da retomada”, disse Cerejo.

ATAQUE ORGANIZADO

Segundo Cerejo, após a retomada do território no dia 28, fazendeiros e pistoleiros da região organizaram uma reunião para expulsar os índios.

A Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA) também condenou a suposta articulação: “Denunciamos, neste contexto, que a ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas”.

Houve ainda uma entrevista concedida pelo deputado federal Aluísio Mendes (PTN-MA) a uma rádio local em que ele comenta a retomada dos índios e se refere ao grupo como “pseudoindígenas”. Ele diz ter falado com o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, a Funai e a Polícia Federal para “dar tranquilidade e alento a essa população tão ordeira e trabalhadora que está sendo ameaçada [pelos índios] nesse momento”.

“Foi um incitamento à violência que ocorreu no dia seguinte”, diz Cerejo, para quem a polícia foi omissa, concluindo o resgate dos indígenas por volta das 22h.

“Hoje de fato passou uma viatura na rodovia estadual que corta nosso território. Pra gente é muito pouco. Apesar de o governo do Estado dizer que está agindo, pra gente é uma inação. Uma viatura que passa não está fazendo a segurança de um grupo que está sendo ameaçado”, diz.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra do Maranhão, há cerca de 360 conflitos por território no Estado. Em 2016, foram registrados 196 episódios de violência, levando a 13 assassinatos e outras 72 ameaças de morte.

O povo Gamela já havia sofrido outros dois ataques, em 2015 e 2016.

INVESTIGAÇÃO

Em nota, o Ministério da Justiça informou que “está averiguando o ocorrido envolvendo pequenos agricultores e supostos indígenas”. Minutos depois, o texto publicado no site do ministério foi editado e a palavra “supostos”, retirada.

Segundo a assessoria, o ministro Osmar Serraglio determinou o envio de uma equipe da Polícia Federal para o local “para evitar mais conflitos” e “ofereceu apoio” à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.

Procurada pela reportagem, a pasta estadual não respondeu até a publicação deste texto.

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